Em uma das conversas com meus queridos amigos João, Malk e Daniel, sempre discutimos o valor não só do que é velho ou tradicional, mas também do que é novo. Sempre começamos por música: pessoas que vangloriam bandas do passado como se as atuais pertencessem a um patamar inferior e o que foi feito há 40 anos atrás (no mínimo) tem muito mais valor do que as que foram feitas a 5 ou 10 anos. Nada contra reconhecer o valor de artistas antigos, o mundo seria diferente sem eles, Beatles, Elvis, Chuck Berry, James Brown, só pra citar alguns. Mas porque não reconhecer que o novo, o atual também é altamente significativo? Radiohead, Smashing Pumpkins, Muse, Badly Drawn Boy e tantos outros artistas que são do nosso tempo, aqui e agora.
Eu particularmente gosto de levar o mesmo assunto para o campo do cinema. Mais especificamente sobre uma onda que vem alagando os cinemas de forma significativa e algumas vezes descartável ou deplorável: os filmes inspirados ou adaptados das histórias em quadrinhos. Aprofundando a questão, filmes de “super-heróis”.
Quem hoje tem por volta dos 40 (ou mais), com certeza conhece e provavelmente teve a incrível oportunidade de ver Superman de Richard Donner, o Batman de Tim Burton (esse eu vi) ou outros filmes como Star Wars, Blade Runner no cinema. Muitas pessoas se orgulham disso. É uma história pra se contar para filhos e netos: “eu vi o Han Solo atirar primeiro em Greedo, eu vi Darth Vader falar “i am your father” no cinema”, assim como nosso amigo Homer Simpson.
Mas voltando aos filmes de heróis dos quadrinhos, o que mais vejo são pessoas idolatrando o primeiro Superman. Não é pra menos, pois eu imagino que até aquela época ninguém havia imaginado como era ter um cara voando por aí e ele era de carne e osso. Levantava helicópteros com uma mão só, salvava a mocinha e o mundo aos 46 do segundo tempo. Mas aí eu vou tocar na ferida: nem tudo são flores. Não apenas o primeiro Superman, como o segundo, tem seus defeitos e quase que fatais! Não venha me dizer que já se esqueceram que a inversão da rotação da Terra faz o tempo voltar ou então que Clark Kent tem um beijo capaz de apagar a memória de alguém.
O muito que as pessoas se lembram é “ah! É o primeiro então é o melhor”. Se fosse assim, era pro Quarteto Fantástico ser a melhor equipe de heróis de todas (NOT!). Mas por que eu estou exemplificando tanto assim? Simples. Hoje temos uma geração de cineastas capazes de produzir obras grandiosas e que tivemos oportunidade de presenciar em primeira mão! O Senhor dos Anéis, de Peter Jackson é o exemplo de maior impacto que consigo pensar. Mas temos também os filmes de Darren Aranofsky, David Fincher, Jean-Pierre Jeaunet, Michel Gondry, Guy Ritchie. E especificamente sobre os filmes de heróis temos os X-Men de Brian Singer, Spider-Man de Sam Raimi e o Batman de Christopher Nolan.
Não estou falando do Begins, mas do filme que considero o mais denso que com uma carga dramática que definitivamente mostra uma idéia não tão velha assim: quadrinhos não é coisa de criança. Aliás, “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, que estréia hoje nos cinemas mundo a fora, não tem absolutamente nada pra criança. Ao ver o filme, saí com um peso e com a necessidade de um tempo para digerir tudo que foi mostrado nos seus 152 minutos de duração. Para os padrões de hoje é um filme longo, mas graças a direção impecável de Christopher Nolan é ágil, nunca perde o ritmo e sempre leva o espectador a experimentar um clímax após o outro, até o seu desfecho, no qual faz jus ao título.
Para os amantes do cinema, ter uma história pra contar é sempre bom. No meu caso, e espero que seja o seu também, podemos falar hoje que além de vivermos na época onde somos presenteados com filmes contemporâneos excelentes (está aí a Pixar que não me deixa mentir), também vimos o auge das adaptações dos quadrinhos de herói, com este Cavaleiro das Trevas.