Uma idéia e três pessoas dispostas a concretizá-la. Uma idéia que veio com um simples impulso: melhorar. Não como músico, mas como pessoa.
Depois de um ano complicado e cheio de provações, a minha maior privação foi ficar longe de um pedaço de mim que só me dei conta de como fazia falta depois de ficar distante.
Desde as primeiras batidas tímidas em peles, tons e pratos. As primeiras lições, ritmos e cãibras no pulso e mãos. Bolhas nos dedos pela falta de técnica. Mas uma coisa sempre existiu: uma vontade. Ao conhecer pessoas que acreditaram que eu poderia sim conduzir uma bateria com essa vontade que lavava a alma a cada batida, a cada groove, a cada virada, eu sabia que não queria, não poderia parar.
2006 não tinha sido um ano fácil. Perdas, desilusões, pequenos dramas e grandes tristezas. Uma delas foi ver a banda que uniu pela primeira vez eu, Jon e Malk se desmantelar de um jeito estranho. Cada um na sua e passamos a maior parte do ano sem tocar mais nenhuma nota juntos. Mas a vontade de continuar não havia falecido com a Vowels. Jon continuara a cantar, sozinho, praticando todos os dias em seu quarto, com seu microfone (que eu havia dado de presente a ele). Malk também seguiu em outra banda durante um tempo. E eu havia parado. Os pratos eram só poeira e as baquetas velhas e carcomidas já não tinham serventia.
Em outubro, eu já havia desabafado com Jon sobre a vontade de voltar a tocar, simplesmente por terapia, para colocar muitas coisas no lugar e poder enfim melhorar. Ele havia me mostrado como e o que ele estava cantando e eu tive uma idéia: vamos para um estúdio. Desabafar, tirar a poeira dos ossos e dos instrumentos que ainda estavam ali e quem sabe fazer música. Lembramos do tempo em que não queríamos mais tocar música dos outros, de quem quer que fosse. Olhamos em volta e percebemos que muitas bandas que estão aí hoje, já estiveram no nosso lugar, que gravaram coisas com uma qualidade tosca, em lugares esquisitos e isso tudo antes de mostrar sua verdadeira essência para o mundo. Em suma: poderíamos fazer o mesmo. Tínhamos alguma habilidade para ao menos tentar.
Numa noite, atravessando a rua Paraíba com Antônio de Albuquerque, procurando um lugar pra beber uma cerveja com o Jon, eu parei. Pensei que se Meg e Jack White tinham apenas 3 elementos ali, que se o Radiohead dispensou uma guitarra sem se importar se isso era profano, ousado ou simplesmente experimental e que Strokes e Arctic Monkeys tiveram demos mal gravadas antes de serem famosos, nós também podíamos. Malk continuava cada vez mais afiado com seu contrabaixo, Jon estava afinadíssimo em seu microfone e a minha vontade em fazer alguma coisa ainda estava acesa. Compartilhamos do mesmo sentimento em fazer as nossas coisas, em criar do nosso jeito. E depois de pensar nisso tudo em menos de um segundo, me perguntei “e se fosse nós 3? Só nós 3?”. Seria mais fácil em conversar, entrar em consenso, resolver qualquer conflito com uma simples conversa porque não teria nenhuma frescura em esconder nenhum pensamento. Só seria mais caro ensaiar em estúdio, mas nada que não pudéssemos arcar. Na hora, Jon me responde: “yeah! Vai ser o projeto da cozinha do inferno!”. Como já existiam composições nossas em inglês e assim queríamos continuar, batizamos “The Hell’s Kitchen Project” e ligamos pro Malk sabendo que ele toparia. Quando o sim dele veio junto com os primeiros ensaios, era possível…
Passamos o ano seguinte recuperando composições antigas, Ferris-Wheel foi escrita em 2005 juntamente com uma outra letra que mais tarde batizamos de NOVA, refinando grooves já criados, como o de Unbalance que foi feito no início de 2006, e concretizando pouco a pouco o projeto para nós mesmos. Ao fim de 2007 já tínhamos um repertório, um compromisso e o conhecimento do que a Cozinha era pra gente, mais que uma banda era uma família.
2008 veio com um ano cheio de desafios e um novo objetivo em mente, se no ano anterior concretizamos a Cozinha pra nós mesmos, era a vez de mostrá-la para os outros. Novas músicas e entre vários shows, a maioria deles na Obra e Matriz, mas sem se esquecer do Minueto e do fantástico show no Cineclube Savassi e muitos nãos em festivais, conhecemos várias pessoas que nos viram com os nossos olhos. Bandas que ficaram amigas, apresentações e jams com uma inspiração instantânea e vários momentos memoráveis em um ano que ao final o que mais escutamos foi: “nossa, vocês tocaram pra caramba esse ano hein?”.
Eis que 2009 bateu a nossa porta e levar nosso som para além das fronteiras de BH se mostrou necessário. Mal o ano começou e a recompensa: fomos selecionados entre mais de 1500 bandas para tocar na etapa do interior do Conexão Vivo. Tomados de assalto pelo calor de Governador Valadares fomos lá pra provar que nosso som conseguia ser mais quente que o próprio Ibituruna. E conseguimos! Depois de 4 semanas de ansiedade e trabalho, descobrimos que fomos uma das 10 bandas escolhidas para se apresentar em Belo Horizonte, no Parque Municipal.
Mais do que inspiração, vontade. Mais do que as respostas que tivemos, as perguntas é que nos levaram adiante. E a idéia de fazer música agitada, pesada, dançante, experimental, mas acima de tudo honesta e autêntica apenas com baixo, bateria e voz. Somos a The Hell’s Kitchen Project e estamos no Conexão Vivo em Belo Horizonte. Que isso seja apenas o começo.
Simplesmente a verdade… foda!
amém! =)
pena que não deu pra eu ir nesse, mas sempre que dá eu vou!
Fala meu amigo blz?
Meu nome é André Rubens, sou Presidente da Associação de Lan Houses de Minas Gerais.
Você foi escolhido através de seu blog para participar de uma coletiva de blogs que acontecerá no dia 01/06/2009 no Palácio da Liberdade!
Será uma ótima oportunidade para você entrevistar o Aécio Neves, Governador de Minas Gerais.
Sua participação é importantíssima e você precisa confirmar com urgência através desse e-mail!